Análise Race Driver: GRID

Publicado: dezembro 26, 2009 em Analises, Jogos, PC
Será possível pegar o esqueleto de algo antigo — e de qualidade —, dar um novo acabamento, aparar algumas arestas e, assim, produzir algo novo? Sem dúvida. Em Race Driver: Grid, a Codemaster basicamente fez isso: pegou algo funcional e comprovadamente bom, no caso a série TOCA/Pro Race Driver, e carregou de novidades que incluem um belo visual e uma física nada menos do que empolgante — embora não seja propriamente realista.

Grid realmente parece ter de tudo um pouco, desde velocidade e um bom nível de competição até uma boa dose de drama (é só bater a mais de 300 km/h em uma mureta para se entender).

Tom cinematográfico

Que Grid teria um ótimo visual, isso é algo que já se podia dizer na altura em que a versão demonstrativa foi lançada. Entretanto, com o jogo completo rodando em alta performance (desde que a máquina assim o permita, claro), é impossível não se pegar de boca aberta diante de algumas belas cenas que vem com toda uma intensidade embutida. Até mesmo nas batidas é impossível ficar completamente decepcionado, já que elas normalmente são seguidas por algumas cenas que poderiam facilmente ter saído de um bom filme de ação hollywoodiano.

Grid: ação tipicamente hollywoodiana. Entretanto, não é apenas na batida que o andamento intenso de Grid pode ser percebido. O jogo todo parece estar em ritmo acelerado. A bem da verdade, o jogo traz uma ótima sensação de velocidade, dando constantemente a impressão de um desastre iminente — o que é ótimo!

Aliás, às vezes tem-se mesmo a impressão que a idéia do jogo é mesmo priorizar desastres, já que transformar o carro em um amontoado de sucata também acaba gerando imagens de encher os olhos. São vidros quebrando (de forma muito realista), pára-choques pendendo e enconstando na pista, portas e capôs arranhados e amassados; sem falar nos pedaços todos largados pelo chão e que, pelo menos em boa parte das vezes, podem ser reencontrados na volta seguinte. Enfim, cada batida em Grid parece gerar uma obra de arte moderna, embora o nível de dano causado aos carros seja opcional.

Entretanto, essa qualidade toda possui precedentes. Dessa vez, a Codemaster soube muito bem aproveitar o ótimo sistema de danos trazido por Dirt, uma espécie de irmão off-road de Grid, jogo que já trazia as batidas como um espetáculo à parte. Entretanto, após uma batida espetacular, caso se possa ainda continuar correndo (o que, impressionantemente, acontece algumas vezes), pode-se esperar algum problema nas rodas, na direção ou ainda no motor ou na suspensão, o que, dependendo no nível, pode igualmente botar um fim na corrida.

Adicionalmente, Grid ainda traz algumas câmeras bastante funcionais. Além disso, o jogo traz um diferencial incontestável em relação aos seus vários concorrentes atuais: a visão do interior do cockpit. Além disso, em um acidente particularmente “artístico”, pode-se utilizar o replay para ver novamente a batida lentamente e sob vários ângulos. O ponto negativo, entretanto, fica para o fato de não se poder salvar uma corrida para ver mais tarde, sem dúvida um deslize bem considerável para um jogo que proporciona algumas das cenas mais espetaculares da história do gênero.

Piloto e empresário

Sim, Grid é estritamente um jogo de corrida que não vai demandar um tino comercial por parte do jogador. Entretanto, a forma como as coisas são colocadas dão um certo ar de empreendimento ao jogo.

Junte dinheiro até poder montar sua própria equipe. Inicialmente, após uma breve corrida cujo único objetivo é chegar vivo ao final (sem necessidade de pódio), a única coisa que se pode fazer durante algum tempo é correr para outras equipes sem que se possa escolher um carro. Cada um desses “bicos” geralmente coloca dois objetivos: um primário e um secundário. Enquanto que algum dinheiro pode ser conseguido simplesmente terminando uma corrida, terminar pelo menos em terceiro ou chegar à frente de uma determinada equipe vai gerar algumas verdinhas extras.

Esses trabalhos iniciais têm objetivos bem claros. A idéia é se tornar popular no meio, conseguir passes para se correr em uma das três regiões possíveis (EUA, Europa e Japão) e, de quebra, juntar dinheiro para abrir um time próprio.

Após algum tempo correndo como empregado, finalmente é possível abrir a sua própria equipe. Tendo inicialmente apenas um Mustang na garagem, o negócio é escolher um nome (sendo que alguns podem achar o limite de caracteres um tanto baixo) e também as cores que serão a marca registrada da equipe. Não, infelizmente não se tem todas as possibilidades de personalização encontradas em Forza, por exemplo. O jogo conta apenas com um determinado número de padrões e cores, possivelmente uma limitação decorrente de todo o realismo das imagens.

A partir daí, o negócio é correr o melhor possível para ganhar ainda mais dinheiro e também chamar a atenção de patrocinadores.

Máquina do tempo

Uma das possibilidades mais particulares que se tem à disposição durante uma corrida em Grid vem do uso da função “flashback”, que permite que se volte no tempo para corrigir alguma barbeiragem. Estava em primeiro, na última volta, quando uma mureta insistiu em ficar no caminho? Sem problemas, basta ativar a função para tentar fazer aquela curva novamente.

Essa opção, entretanto, só pode ser utilizada um número limitado de vezes, o que depende do modo de dificuldade escolhido. Quem julgar esse artifício como algo semelhante a uma carta na manga pode ainda escolher o modo “Pro”, no qual está desativada a função.

Vira o disco

Provavelmente numa tentativa de dar ao clima do jogo ainda mais realismo e imersão, existem ainda alguns diálogos pré-gravados que aparecem em vários momentos durante uma corrida. Estes abordam desde elogios quando se faz algo decente até reprovações em erros dignos de nota ou mesmo avisos de acidentes na pista (que nem sempre existem).

Infelizmente, essa parece ser uma daquelas adições mais bem intencionadas do que bem sucedidas. Sim, inicialmente, os diálogos dão um clima diferente ao jogo, sendo mesmo divertidos algumas vezes. O problema é escutar várias e várias vezes as mesmas frases que normalmente são ditas sempre nos mesmos momentos. Depois de um tempo isso vai cansando.

Nada de garagens enormes

Após a criação da equipe, os objetivos então continuam sendo os mesmo, ganhar popularidade e dinheiro, sendo que este poderá agora ser utilizado na compra de carros. O que faz lembrar outro ponto que talvez deixe alguns jogadores meio descontentes — particularmente os habituados aos simuladores. Em Grid, o número de carros é consideravelmente reduzido, são apenas 45 no total. Além disso, alguns eventos podem colocar dois ou até mesmo apenas um carro disponível para compra, o que acaba restringindo ainda mais.

Apesar disso, boa parte dos carros mais venerados por entusiastas estão presentes, cada um deles gerando uma experiência bastante particular de pilotagem sem, contudo, chegar ao extremo de um simulador. Entre os presentes, podem ser encontrados o clássico BMW 320 SI, o Audi R10 TDI, o Honda NSX R ou ainda o controverso Mazda 787B (com seu motor de quatro rotores), que vencedor de 1991 da popular corrida “24 horas de Le Mans”.

Arcade ou simulação?

De fato, no que tange o visual e os efeitos, trata-se sem dúvida de um dos melhores títulos de corrida jamais lançados. Porém, a idéia de traçar uma linha média entre o arcade e a simulação não parece realmente ter alcançado todo o potencial que poderia.

Não, Grid não tem uma jogabilidade propriamente ruim. Entretanto, controlar o carro às vezes parece um pouco irreal demais. Na maioria das vezes, a grande dificuldade não será fazer uma curva em particular (algo que realmente não demanda muita habilidade), mas apenas desviar do amontoado de carros que se batem a todo o momento; evitar as muretas acaba mesmo sendo o menor dos problemas.

http://www.youtube.com/v/OaM4OOSZ2-E&hl=pt_BR&fs=1&

É claro que as corridas em Grid trazem uma boa dose de diversão, a ponto de, pelo menos inicialmente, o jogador acreditar que tem em mãos um dos melhores títulos de corrida lançados até hoje — o que pode até ser verdade, embora não inteiramente. O problema é que a dirigibilidade um tanto facilitada dos carros acaba tornando as corridas consideravelmente maçantes após não muito tempo de jogo. E, nesse ponto, nem mesmo as ótimas imagens do jogo vão conseguir manter o jogador na frente do console.

Apesar disso, Race Driver: Grid ainda pode ser dúvida ser considerado um dos títulos de corrida mais expressivos lançados atualmente. Os gráficos de fato enchem os olhos e o som consegue acompanhar o passo sem nenhum problema. E, quando a ação em si ficar um tanto repetitiva, ainda se pode tentar o modo multiplayer, que suporta um total de 12 jogadores simultâneos rodando de forma bastante fluida. Enfim, inovações e restrições à parte, Grid é um jogo no qual qualquer fã de jogos de corrida deveria dar uma olhada — desde que não seja um fã preciosista de simuladores.

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