Análise Midnight Club: Los Angeles

Publicado: dezembro 29, 2009 em Analises, Jogos
Midnight Club larga na frente e deixa Need for Speed para trás.

Você pode até ficar surpreso, mas a Rockstar possui outras franquias além do controverso Grand Theft Auto. É verdade, apesar de mundialmente conhecida pelas desventuras criminosas da famigerada série GTA a empresa que estourou após o lançamento de Lemmings (quando ainda se chamava DMA Design), tem muitos recursos na manga.

Um dos trunfos da companhia é uma franquia de jogos de corrida. Midnight Club apostou alto na jogabilidade arcade com corridas urbanas e o estilo singular da produtora, que adora colocar os jogadores em meio a temas polêmicos, mas não menos realistas.

Os pegas de rua, com muitos bólidos e tunados e muita perseguição policial atraíram um público ávido por “contravenções” virtuais. Entediados com a falta de inovação da franquia Need for Speed encontram nas corridas ilegais em cenário metropolitanos de Midnight Club o reduto perfeito para os seus possantes envenenados.

Desde os primeiros jogos da série, a Rockstar aproveitou a sua experiência sandbox (mundo aberto) de GTA para oferecer um palco complexo e inteiramente dedicado às corridas.

Agora a franquia chega em alto estilo aos consoles de sétima geração. Depois de fazer sucesso no PlayStation 2 e Xbox original, Midnight Club: Los Angeles traz os rachas para uma nova legião de fãs de velocidade.


Costa oeste

Desenvolvido nos estúdios de San Diego da Rockstar (o mesmo responsável por Table Tennis), coloca os pilotos de plantão nas ruas de uma das cidades mais conhecidas dos Estados Unidos.

As locações reais — fielmente recriadas, seguindo o exemplo do que foi feito com a cidade de Nova Iorque em GTA IV — são o palco para as corridas. O quarto jogo da série aposta em charangas devidamente licenciadas e um forte suporte as partidas multiplayer online (apoiada na mesma tecnologia presente em GTA IV).

O design é rápido, inteligente e visualmente muito atraente (mesmo que pouco eficiente). Desta forma mesmo se tratando de um jogo puramente arcade, a imersão no submundo da cidade é excelente.

Infelizmente o jogo apresenta alguns problemas sérios que abam prejudicando a apreciação completa do título, e relegando-o a um patamar um pouco inferior a outros jogos do gênero.

Ganhando posições

A história não é nada inovadora, mais uma vez você assume o papel de um novato que chega a cidade em busca de fama e muita velocidade. Para conquistar o seu objetivo você disputa uma série de corridas de rua, ganhando respeito entre os outros pilotos e incrementando o seu possante. Tudo apresentado na forma de breves animações, no melhor estilo GTA.

Nesta edição, um dos aspectos importantes é o formato de avanço no modo carreira; que abusa do estilo sandbox, deixando o jogador livre para tomar qualquer decisão. Você poderá optar entre participar das provas relacionadas à história ou quem participar de corridas paralelas a qualquer momento.

O objetivo principal é somar pontos de reputação e acumular dinheiro, que por sua vez é utilizado na aquisição de novos carros ou no aprimoramento desses (de melhorias na parte mecânica até a aplicação de pinturas e luzes néon).

Entretanto, para ter acesso a todos os veículos e todos os componentes extras você terá que penar nas ruas. Isso porque os itens da loja só são desbloqueados conforme o seu nível de respeito.

Gran Prix

Para conseguir conquistar estes tão desejados pontos de respeito você poderá participar de número verdadeiramente impressionante de provas, sejam elas parte das missões da campanha, ou de corridas isoladas espalhadas pelo mapa.

Em determinados momentos o jogador terá a sua disposição mais de vinte desafios disponíveis simultaneamente, que você poderá escolher livremente. Entretanto, o nível de dificuldade acaba estreitando muito a sua escolha.

O jogo possui um nível de dificuldade muito elevado. O que pode soar como um atributo logo se mostra com um defeito. As corridas classificadas como fáceis (o jogo utiliza uma interface de cores para classificar o nível de desafio de cada disputa), não oferecem muitos problemas e até perdoam alguns erros dos motoristas.

Mas o sistema se mostra um tanto falho e mesmo alguma corridas “fáceis” mostram-se incrivelmente desafiadoras e algumas disputas de nível mais alto são simplesmente imperdoáveis, não deixando escapar uma tomada de curva mais aberta ou uma freada tardia.

A dificuldade elevada acaba sendo mais frustrante do que desafiadora. Mais de uma vez você terá que correr diversas vezes contra o mesmo oponente para conseguir supera-lo. Felizmente o jogo permite que você encare os mesmos desafios mais de uma vez.

Para ter sucesso você deve persistir. Vencer corridas menores, comprar carros melhores e incrementa-los é um exercício de paciência, mas recompensador (mesmo que você ainda conte com um bocado de sorte).
Como a palma da mão

A chave para vitória é conhecer todos os caminhos da cidade. Das grandes avenidas, próprias para as altas velocidades, mas repletas de obstáculos (transito intenso) as pequenas vielas secundarias.

Encontrar o caminho mais rápido é um exercício digno de um engenheiro cartográfico. O pequeno mapa presente na tela (no mesmo estilo da série GTA) não traz muitas informações e você deve encontrar o melhor caminho quase que por instinto.

Mesmo que um marcador indique o ponto de chegada é você que escolhe o caminho, já que o mapa não demonstra as melhores rotas disponíveis. Portanto muita atenção, pois uma curva erra e você não terá mais chance alguma de competir pelo primeiro lugar.

Do jeito que você gosta

Midnight Club: Los Angeles oferece diferentes modos de disputa (todos dentro do modelo sandbox). As provas são na sua maioria corridas mano-a-mano, ou com meia dúzia de participantes.

Você poderá competir em torneios por pontos, desafios em três etapas (melhor de três), séries de corridas, Time Trials e rachas (nestes não importam as rotas mas sim quem chega primeiro ao destino).

Certas missões consistem em cruzar um percurso dentro de um tempo limite e com uma quantidade máxima de danos no veículo. Não faltam ainda as famosas corridas Pink Slips, nas quais os prêmios e os riscos são muito maiores, de avultadas quantias em dinheiro até a chave dos carros competidores.
E para finalizar você ainda vai encontrar o modo Arcade, no qual você escolhe o número de competidores, quantidade de tráfego, hora do dia e outros parâmetros para a corrida.

Uma cidade viva

Outro ponto alto da ambientação do jogo é o seu dinamismo. O ciclo de dia/noite influencia na iluminação e na presença de transito e pedestres nas ruas. As mudanças climáticas acontecem em tempo real. Ao longo do dia você poderá ver as nuvens cobrindo o céu e eventualmente despejando água sobre a cidade.

Mas isso não é tudo, a cidade é protegida por uma leal força policial, que não tolera a menor infração de transito. As perseguições policiais rivalizam as do jogo Need For Speed: Most Wanted, mas aqui a dificuldade é bem maior.

Os polícias demonstrarem uma inteligência artificial bem desenvolvida, não dando nenhuma trégua aos jogadores. Algumas vezes a polícia envolve-se em perseguições durante as corridas (principalmente as que se passam nas auto-estradas), mas as patrulhas estão sempre a espreita de um motorista irresponsável.

Cosméticos

O mapa de Los Angeles não é muito grande, principalmente se comparado ao de GTA IV, mas está significativamente maior do que todos os cenários dos títulos anteriores da série.

Alguns locais conhecidos estão muito bem representados, tais como o Santa Monica Boulevard ou a Mulholland Drive. O mapa da cidade é visualizado em um estilo “Google Earth”, em uma representação aérea de jogo.

O dinamismo próprio da ferramenta cartográfica do Google confere uma transição inteligente entre a ação e o mapa, que surge em um zoom dinâmico, colocando-nos numa visão aérea.

Infelizmente toda esta apresentação é meramente cosmética, já que a interface destes componentes não a melhor. O editor de provas presente no jogo está relativamente bem integrado ao sistema, mas localizar-se no mini-mapa é algo muito difícil.

Seu tamanho reduzido não permite uma boa visualização e a ausência de um indicador de rotas fará com que você se perca pelas movimentadas ruas de Los Angeles com estrema facilidade.

Lata velha

Se comparado às edições anteriores, Midnight Club: Los Angeles oferece um número bem inferior de veículos (menos de cinqüenta carros), incluindo apenas três tipos de motos.

Entretanto agora você conta com um nível de detalhe muito maior do que em seus predecessores. Com diversas visões, incluindo um robusto ângulo de dentro do cockpit, além de uma série de aspectos personalizáveis.

Os veículos podem ser divididos entre os muscles, luxuosos, tuners, exóticos e motos. São diversas marcas como a Ford, Mitsubishi, Chevrolet, Mazda, Dodge, Nissan, Mercedes, entre outros, além do soberbo Lamborghini Murcielago Roadster de 2004.

E se possuir o carro mais valioso não é o bastante você ainda poderá equipá-lo com os melhores componentes e, como os olhos também comem, personaliza-lo com diferentes tipos de rodas, aerofólios, pinturas e muitos outros aspectos, tornando-o único.

Pra galera ver

Apoiado no sistema Rockstar Social Club, o jogo também oferece um suporte para a comunidades virtuais. Assim, aquela seu carrão todo tunado não precisa ficar guardado na garagem.

Através desse sistema você poderá submeter a sua charanga, que poderá ser visualizada por outros jogadores, que por sua vez poderão dar notas para a sua criação. E isso não é tudo, o sistema também serve como loja.

Se algum jogador ficar interessado na sua criação ele poderá compra-la na loja online. Você não perde o carro, mas recebe o valor correspondente a venda, e o comprador adquire uma cópia do seu carro.

Enquanto isso o sistema multiplayer online oferece uma série de modalidades de jogo, como em GTA IV. Além de corridas normais, com suporte para até dezesseis jogadores simultâneos, com direito a pistas editadas pelos jogadores, os usuários também vão encontrar outras variações de jogo.

Um das opções é uma variação do tradicional Capture the Flag, que coloca o jogador em um jogo de gato e rato, no qual o objetivo é manter a posse da bandeira pelo maior tempo possível.

No modo Stockpile o objetivo é reunir o maior número possível de bandeiras espalhadas pelo mapa. Além desses ainda existem outros modos de jogo, ultrapassando a dezena de variantes.

Midnight Club Kart

No modo online você poderá contar com alguns recursos especiais. Além dos habituais nitros, você também poderá equipar o carro com alguns dispositivos mais fantasiosos, como o Roar, que imite uma onda de energia que faz os seus oponentes deslizarem na pista.

O EMP libera um pulso eletromagnético que desativa temporariamente os carros oponente, já o AGRO torna o seu veículo indestrutível por alguns breves segundos e o ZONE, é uma espécie de bullet time, ideal para aquelas curvas fechadas.

Nas corridas, podemos ainda aproveitar o vácuo dos adversários para encher turbos, assim como andar em duas rodas (e empinar as motas) evitando assim que os outros competidores façam o mesmo conosco.

Borracha queimada e motores barulhentos

Graficamente estamos perante um jogo com uma apresentação muito envolvente. Quem gostou do estilo de GTA IV certamente irá reconhecer muitos elementos em comum, além da tradicional “atitude” da Rockstar.

Infelizmente a apresentação geral do jogo é puramente cosmética e não interage muito com a jogabilidade, além de apresentar alguns defeitos relativamente frustrantes em um título da sétima geração de consoles.

Os modelos dos carros são muito interessantes, mas infelizmente contam com um sistema de danos pouco trabalhado — apenas alguns vidros quebrados e amassados na lataria, sem qualquer alteração no desempenho do veículo.

A física é puramente arcade e tão depressa esbarramos contra o cenário em alta velocidade, damos incríveis piruetas para então continuarmos guiando como se nada tivesse acontecido.

Outro ponto negativo é o fato de haverem apenas alguns elementos destrutíveis no cenário. Com exceção de algumas grades e bancos de madeira, nenhum poste ou árvore pode ser destruído, bem como os pedestres que não podem ser atropelados.

O sistema de iluminação é bem desenvolvido, principalmente os faróis dos carros que são utilizados para ativar os duelos automotivos, bom como as luzes dos postes de eletricidade, dos semáforos e até mesmo do néon dentro do cockpit e em baixo do carro.

Quanto a trilha sonora, Midnight Club: Los Angeles traz o impressioante número de 68 músicas, que se espalham em diferentes gêneros e se isso não fosse suficiente a versão para o PS3 ainda conta com suporte para músicas externas (um dos primeiros títulos do console a trazer esta opção). Dessa forma você poderá ouvir qualquer faixa presente no seu console enquanto joga Midnight Club.

Bandeirada final

No final das contas, Midnight Club: Los Angeles pode ser considerado como um bom jogo de corrida. Tendo em mente os recentes fracassos da franquia Need for Speed, a série da Rockstar mostra que tem condições para tomar o posto com extrema facilidade.

A jogabilidade arcade deve se mostrar extremamente atraente para os fãs da linha distribuída pela EA Games. O estilo “underground”, com perseguições policiais, corridas urbanas e muito espaço para a “tunagem” devem conquistar em cheio aos órfãos de Need for Speed.

Midnight Club: Los Angeles não irá decepcionar os fãs da série, pois as corridas são frenéticas. Entretanto o título não consegue alcançar o topo do pódio por conta de alguns pequenos problemas, que quando somados acabam prejudicando o valor final do jogo.

Apesar da interface pouco funcional, o nível de dificuldade frustrante, alguns “bugs” gráficos (como pedestres que atravessam paredes) da falta de originalidade e de alguns outros problemas, o jogo ainda conta com um extenso modo single player, um suporte online fantástico e um ambiente profundo e bem elaborado para o gênero.

Nota: 7,0

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